Arte Equestre em Belém

A Arte Equestre tradicional portuguesa regressa a Belém

Inauguração do Picadeiro Henrique Calado (Calçada da Ajuda) dia 16 de julho, às 18h
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A Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), gerida pela Parques de Sintra – Monte da Lua, apresentará regularmente, a partir de 20 de julho, no Picadeiro Henrique Calado (na Calçada da Ajuda, em Belém), espetáculos e treinos abertos a todo o público.

Neste local central, o público passará a poder assistir a treinos, bem como a espetáculos semanais e galas. Nos treinos os visitantes poderão assistir ao trabalho de ensino que é realizado diariamente pelos cavaleiros e, durante os espetáculos, são apresentadas diversas coreografias e exercícios, tais como carrossel, rédeas longas e ares altos, ao som de música especificamente selecionada para o efeito. Nas galas, marcadas em datas especiais, o espetáculo é mais alargado e inclui a apresentação de diversos números acompanhados por efeitos de luz e som, que enriquecem o cenário.

A EPAE, uma das 4 escolas de Arte Equestre na Europa, foi criada em 1979 e tem por objetivo promover o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa, na sequência do que fazia a Picaria Real, academia equestre da corte portuguesa, encerrada no século XIX. Depois da Sociedade Hípica Portuguesa, no Campo Grande, a Escola Portuguesa de Arte Equestre instalou-se nos jardins do Palácio Nacional de Queluz, em 1996, onde realizou apresentações regulares abertas ao público.

A Parques de Sintra – Monte da Lua, S.A. (gestora da Escola Portuguesa de Arte Equestre desde setembro de 2012) assinou em 2014 um protocolo com o Estado Maior do Exército Português para requalificação e utilização deste picadeiro, de forma a albergar com dignidade os espetáculos, promovendo o regresso desta arte nacional à sua zona de origem, Belém. Neste sentido, com um investimento de aproximadamente 1.355.000 Euros, cofinanciado pelo POR Lisboa, o espaço foi amplamente requalificado, procedendo-se à adaptação de todo o interior, recuperação das fachadas e da cobertura, dotando o edifício das infraestruturas necessárias. O projeto, com intervenção numa área de cerca de 2,200 m2 , abrangeu três vertentes: 1) Acolhimento de público, com a instalação de duas bancadas para cerca de 300 pessoas (incluindo camarote), bilheteira, cafetaria, loja e instalações sanitárias; 2) Área técnica, com a criação de um espaço para cavaleiros, funcionários e pessoal de apoio, bem como régie para acompanhamento dos espetáculos (em termos de som e luz); instalações sanitárias, balneários e arrumos; e 3) Picadeiro, criando-se um espaço central de espetáculos, para acolher os cavalos, quer para treinos, quer para eventos; e ainda uma zona de espera para os cavalos, com acesso direto a partir da Calçada da Ajuda. Adicionalmente, foram instaladas boxes para os cavalos nas cavalariças conhecidas como Cocheiras da Rainha, localizadas no Páteo da Nora, e um picadeiro de aquecimento coberto.

De acordo com Manuel Baptista, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra – Monte da Lua, “a recuperação do Picadeiro Henrique Calado constitui-se como um dos pontos-chave para a correta apresentação da Escola Portuguesa de Arte Equestre ao público nacional e estrangeiro. Com este espaço, coberto, é agora possível garantir apresentações e espetáculos durante todo o ano, com os melhores níveis de qualidade de acolhimento de visitantes, garantindo assim o merecido reconhecimento da qualidade da EPAE.”

Além da histórica associação desta zona da cidade à arte equestre, quer de cariz militar, quer de serviço à “Casa Real”, Belém é também uma zona de grande interesse turístico permitindo maior visibilidade e acesso dos visitantes às diferentes propostas da Escola Portuguesa de Arte Equestre.

Visitar o Picadeiro Henrique Calado é a oportunidade de viajar na História nacional, vivendo momentos que se perpetuaram na beleza dos cavalos Lusitanos da Coudelaria de Alter, utilizados nesta arte desde o século XVIII, na realização de exercícios de equitação clássica, exercícios de equitação do período Barroco e exercícios dos Jogos de Corte (torneios praticados entre os séculos XVI e XIX, em ocasiões festivas), mas também nos trajes e arreios que, quer sejam de trabalho (Treinos Diários), quer sejam de gala (Apresentações Semanais e Espetáculos de Gala), são os mesmos que se usavam na génese da Arte Equestre portuguesa.